Ele estava mais feliz do que você pode imaginar. Sua vida estava correndo como planejada anos antes com sua então namorada, agora mãe de seus filhos. Filhos estudando na escola mais tradicional da região. Mulher cuidando da casa com cerquinhas brancas ao redor do pátio. Tudo o que um homem poderia querer e ainda mais do que ele havia pedido.
Durante sua rotineira caminhada do trabalho para casa, encontrou um filhote de cachorro caminhando em uma calçada. O cão tinha semblante solitário, estava sujo também. O bom homem decidiu levá-lo consigo, guiou a pequena bola de pelos até sua casa. Abriu o portão da cerquinha branca, o cachorro entrou, atrapalhado, esbaforido. Parecia estar morrendo de sede, notava-se pelo tanto de sua língua que estava pendurada para fora da boca e pela sua ofegante respiração. O homem apressou-se em encher um pote de água para o animal, que bebeu quase tudo em pouco tempo e ficou abanando o rabo incessantemente, demonstrando satisfação. Também lhes foram arranjados uma caixinha de papelão para dormir, um pouco de ração que seus filhos pediram aos vizinhos de cerquinha branca.
Até que a esposa do bem feitor põe-se ao lado da porta da casa e sorri para o homem, que larga a sua maleta do trabalho no jardim e corre de encontro a amada, dando um beijo breve nos seus lábios cor de cereja.
domingo, 3 de abril de 2011
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