sexta-feira, 24 de abril de 2009

#9 Esperar, esperar

Lá estava ele, como o combinado no telefonema de ontem a noite.
"Eu vou pegar um ônibus pra Nova Iorque, amanhã. Te espero lá na rodoviária. Às 11:00 a.m."
Seus pés, calçados com o par de All Star surrado e velho, balançavam fazendo movimentos repetitivos e rápidos. Pra frente, pra trás, e assim iam...
O ônibus chegou. Quem desceu não foi Lívia, e, sim, sua madrasta. Sra. Frantz. Sentou-se ao lado dele:
- Ela não pôde vir. Disse-a que falaria contigo. - Baixou os olhos e apoiou suas mãos nas suas pernas.
- Tudo bem. Mas, eu vou ter que ir... Com ou sem Liv. - Eddie, como gostava de ser chamado, não conseguiu esconder sua tristeza em deixar a menina naquela casa onde estava.
- Eu tenho uma coisa pra você - Sra. Frantz sorriu brevemente e abriu uma caixinha pequena. O garoto olhou pra dentro da caixa e viu um bolo de dinheiro. Olhou novamente pra ela com uma expressão confusa. - Sabe... Fui juntando - Riram - Um pouco aqui, um pouco lá e aqui está!
- Obrigado, Sra. Frantz - E, num impulso, jogou-se nos braços daquela senhora.
O ônibus dela chegou.
- Eddie, preciso ir - Ela soltou-o com cuidado. - Tenha juízo em Nova Iorque, menino. E quando escrever teu livro, me mande uma cópia - Ela disse, levantando do banco em que estavam.
- Mando sim. Diga a Liv que vou lhe mandar dinheiro para começar a faculdade.
Lívia se tornou uma grande amiga do menino com vida de homem, com histórias de vida semelhantes, apesar de ser um pouco mais velha que Eddie, ela já havia se envolvido com alguém (bem) mais velho. O cara que fez Eddie sofrer, tinha 33. O de Lívia, 41.

Anos depois, Eddie, ainda em Nova Iorque, lançou seu livro, e, como o prometido, mandou para a Sra Frantz.

Esperando respostas...


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