quinta-feira, 11 de março de 2010

#30 Realidade

Decidi sair de casa para respirar um pouco de ar puro de um dia de verão mais fresco do que o normal. Saí andando sem ter um lugar em mente para ir. Me aproximei de um ponto de ônibus com duas velhinhas paradas nele.
Uma delas eu já havia visto algumas vezes. Ela trabalha no restaurante em que, às vezes, meu pai encomendava vianda. Sentei no banco do ponto de ônibus e fiquei quieta.
A velhinha que eu nunca tinha visto, estava falando sobre o seu trabalho em um dos outros restaurantes da cidade:
- Pois é, hoje em dia o salário não dá pra nada! Dia desses, fui pagar umas contas e me sobrou só VINTE E CINCO CENTAVOS do meu salário! Uma barbaridade.
A outra senhora, se virou no banco e acendeu um cigarro, enquanto isso, disse:
- Vou esperar esse mês passar e vou chegar no Seu Marcos e dizer que receber essa miséria não dá mais. Trabalho de segunda à sábado, seis dias por semana... Se fosse só cinco, aí, eu nem reclamaria.
A senhora desconhecida por mim também decidiu fumar. Com o cigarro na boca, confessou:
- É, ainda bem que meu velho tem uma aposentadoria miserável. Mas, mesmo assim, quase não dá para nos sustentarmos.
- Tu já viu quanto tá um pacote de açúcar? Tá 12 reais!
- Lamentável, guria, lamentável.

Seus cigarros chegaram ao fim e o ônibus chegou. Atrasado como sempre.
Levantei do banco e voltei pra casa.

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